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sábado, 13 de outubro de 2012

Uma só vida não chega

uma só vida não chega 
nem outra nem outra ainda 
para dizer que te amo 
meu amor meu só amor. 

E quando a morte vier 
inevitável e certa 
que seja eu o primeiro 
a ficar no livro inscrito. 

Que ali discreto seja 
e feliz por ter amado 
a mulher por que morri 

vivendo. Nada mais quero. 
Se de seu amor morri 
 morrendo volto a viver. 

Liberto Cruz

Névoa ou sintaxe



Na paz súbita do canto
me surpreendo
em manso aviso
e, insone, embarco
na jangada incerta.

Não isentas, as veias sabem
e em silêncio depõem,
de coragem, rios.
E a calma é tão fecunda
que adolescente, parto.

Na secreta angústia,
serena, a memória me confina  
e válido, num grito me anuncio.

Liberto Cruz