Mostrar mensagens com a etiqueta Eduardo Pitta. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Eduardo Pitta. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Nenhum de nós

Nenhum de nós passeia impune
pelos retratos: fazem-nos doer
os recessos da memória.

Deles saltam, por vezes, sustos,
primeiras noites, secreta
loucura, lábios que foram.

Interditam-nos sempre.
Trepam-nos pelo torpor
mais desprevenido, subsistem.

A sua perenidade é volátil
e cheia de venenosos ardis.
Um sopro no acetato.

Distintos, os seus contornos
não são nunca
os que supomos.

Eduardo Pitta