quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

sobre o amor

("Páris e Helena" de Jacques-Louis David)

Quatro ignorâncias podem concorrer em um amante, que diminuam muito a perfeição e merecimento de seu amor: ou porque não se conhecesse a si; ou porque não conhecesse a quem amava; ou porque não conhecesse o amor; ou porque não conhecesse o fim onde há-de parar, amando.

Enquanto Páris ignorante de si e da fortuna do seu nascimento, guardava as ovelhas do seu rebanho nos campos do monte de Ida, dizem as histórias humanas, que era objecto de seus cuidados Enone, uma formosura rústica daqueles vales. Mas quando o encoberto príncipe se conheceu e soube que era filho de Príamo, rei de Tróia, como deixou o cajado e o surrão, trocou também de pensamento. Amava humildemente, enquanto se teve por humilde; tanto que conheceu quem era, logo desconheceu a quem amava.

(Excertos do Sermão do Mandato do Padre António Vieira)

1 comentário:

TsiWari disse...

haverá lá coisa pior que permitir a troca de pensamento, por motivos tais?


;)*

[e parabéns pela reabertura!]