segunda-feira, 1 de setembro de 2008

la voz a ti debida

(Marc Chagall, Amantes Azuis)

Tú vives siempre en tus actos.
Con la punta de tus dedos
pulsas el mundo, le arrancas
auroras, triunfos, colores,
alegrías: es tu música.
La vida es lo que tú tocas.

De tus ojos, sólo de ellos,
sale la luz que te guía
los pasos. Andas
por lo que ves. Nada más.

Y si una duda te hace
señas a diez mil kilómetros,
lo dejas todo, te arrojas
sobre proas, sobre alas,
estás ya allí; con los besos,
con los dientes la desgarras:
ya no es duda.
Tú nunca puedes dudar.

Porque has vuelto los misterios
del revés. Y tus enigmas,
lo que nunca entenderás,
son esas cosas tan claras:
la arena donde te tiendes,
la marcha de tu reloj
y el tierno cuerpo rosado
que te encuentras en tu espejo
cada día al despertar,
y es el tuyo. Los prodigios
que están descifrados ya.

Y nunca te equivocaste,
más que una vez, una noche
que te encaprichó una sombra
-la única que te ha gustado-.
Una sombra parecía.
Y la quisiste abrazar.
Y era yo.


Pedro Salinas

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

in a lifetime



Hard to tell
Or recognize a sign
To see me through
A warning sign

First the thunder
Then the storm
Torn asunder
In the storm

Satisfied
If the past it will not lie
The future, you and I
Get blown away)

In a lifetime
In a lifetime

And as the rain it falls
Heavy in my heart
Believe the light in you
Faded and worn
Torn asunder in the storm

Begin again
As the storm breaks through
So the light shines in you
Without color
Torn asunder in the storm

Unless the sound has faded from
your soul
Unless it disappears)

First the thunder
Then the storm
Torn asunder
In the storm

Selfish storm
Hold on the inside
One life
In the storm)

In a lifetime
In a lifetime
In a lifetime
In a lifetime

domingo, 29 de junho de 2008

um redondo vocábulo

Era um redondo vocábulo
Uma soma agreste
Revelavam-se ondas
Em maninhos dedos
Polpas seus cabelos
Resíduos de lar,
Pelos degraus de Laura
A tinta caía
No móvel vazio,
Congregando farpas
Chamando o telefone
Matando baratas
A fúria crescia
Clamando vingança,
Nos degraus de Laura
No quarto das danças
Na rua os meninos
Brincando e Laura
Na sala de espera
Inda o ar educa


(Zeca Afonso)

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Le monde

Je pense bien que le monde est calculé
Je pense bien que tout est encadré
Que nos pensées sont tracées
dans l'air auparavant
Et tu crois que la derniere prise
Elle a mis du ??? í ta douleur
Ouvre les yeux le monde change
Ah oui je sais qu'un jour
Ah oui je sais qu'un jour
Pour voir plus clair
Tu dois oublier tous les mensonges
Ah le monde change, le monde change
Soulage ton coeur, soulage ton ame
Ah le monde change
Et tu crois que la derniere prise
Elle a mis du temps í ??
Ta douleur, ta douleur
Demain est une autre sortie
Ca fait mal í dire mais j'ai
peur, j'ai peur, j'ai peur
Ah le monde change, le monde change
Soulage ton coeur, soulage ton ame
Ah le monde change, le monde change

Thievery Corporation

terça-feira, 17 de junho de 2008

As pessoas sensíveis

As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas


O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra


"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão".


Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito


Perdoai-lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem.

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Somewhere Beneath This Sky



Oh my lonesome lover
Your love is like a winter star
I feel tired and alone
I must find my beautiful home
Somewhere beneath this sky
Cause summer is gone
My bones are cold
Summer is gone
My shoes are old

I looked for you in everyone
I looked for you in every town
But you are nowhere to be found
I feel tired and alone
I must find my beautiful home
Somewhere beneath this sky
Cause summer is gone
My bones are cold
Summer is gone
My shoes are old

When I'm gone you'll see
You will make up with me
But there won´t be no more you and me
But there won´t be no more you and me

Mazgani

terça-feira, 3 de junho de 2008

Poema do Homem Só

Sós,
irremediavelmente sós,
como um astro perdido que arrefece.
Todos passam por nós
e ninguém nos conhece.

Os que passam e os que ficam.
Todos se desconhecem.
Os astros nada explicam:
Arrefecem

Nesta envolvente solidão compacta,
quer se grite ou não se grite,
nenhum dar-se de outro se refracta,
nehum ser nós se transmite.

Quem sente o meu sentimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem sofre o meu sofrimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem estremece este meu estremecimento
sou eu só, e mais ninguém.

Dão-se os lábios, dão-se os braços
dão-se os olhos, dão-se os dedos,
bocetas de mil segredos
dão-se em pasmados compassos;
dão-se as noites, e dão-se os dias,
dão-se aflitivas esmolas,
abrem-se e dão-se as corolas
breves das carnes macias;
dão-se os nervos, dá-se a vida,
dá-se o sangue gota a gota,
como uma braçada rota
dá-se tudo e nada fica.

Mas este íntimo secreto
que no silêncio concreto,
este oferecer-se de dentro
num esgotamento completo,
este ser-se sem disfarçe,
virgem de mal e de bem,
este dar-se, este entregar-se,
descobrir-se, e desflorar-se,
é nosso de mais ninguém.

António Gedeão

Interlúdio

As palavras estão muito ditas
e o mundo muito pensado.
Fico ao teu lado.

Não me digas que há futuro
nem passado.
Deixa o presente — claro muro
sem coisas escritas.

Deixa o presente. Não fales,
Não me expliques o presente,
pois é tudo demasiado.

Em águas de eternamente,
o cometa dos meus males
afunda, desarvorado.

Fico ao teu lado.

Cecília Meireles

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Eternamente Tu (Jorge Palma)

O tempo não sabe nada, o tempo não tem razão
O tempo nunca existiu, o tempo é nossa invenção
Se abandonarmos as horas não nos sentimos sós
Meu amor, o tempo somos nós

O espaço tem o volume da imaginação
Além do nosso horizonte existe outra dimensão
O espaço foi construído sem principio nem fim
Meu amor, tu cabes dentro de mim

O meu tesouro és tu
Eternamente tu
Não há passos divergentes para quem se quer
Encontrar

A nossa história começa na total escuridão
Onde o mistério ultrapassa a nossa compreensão
A nossa história é o esforço para alcançar a luz
Meu amor, o impossível seduz

O meu tesouro és tu
Eternamente tu
Não há passos divergentes para quem se quer
Encontrar

terça-feira, 13 de maio de 2008


Tras sobrevivir a miles de páginas sobre el tema, empezaba a tener la impresión de que cientos de creencias religiosas catalogadas a lo largo de la historia de la letra impresa resultaban extraordinariamente similares entre sí. (...) Mitos e leyendas, bien sobre divindades o sobre la formación y la historia de los pueblos y razas, empezaron a parecerme imagénes de rompecabezas vagamente diferenciadas y construidas siempre con las mismas piezas, aunque en diferente orden.


Todos ellos son relatos con personages que deben enfrentarse a la vida y superar obstáculos, figuras que se embarcan en un viaje de enriquecimento espiritual a través de peripecias y revelaciones. Todos los libros sagrados son, ante todo, grandes historias cuyas tramas abordan los aspectos básicos de la naturaleza humana y los situán en un contexto moral y un marco de dogmas sobrenaturales determinados.


Carlos Ruiz Zafón, El Juego del Ángel

sexta-feira, 2 de maio de 2008

às vezes o amor

Que hei-de eu fazer
Eu tão nova e desamparada
Quando o amor
Me entra de repente
P´la porta da frente
E fica a porta escancarada

Vou-te dizer
A luz começou em frestas
Se fores a ver
Enquanto assim durares
Se fores amada e amares
Dirás sempre palavras destas

P´ra te ter
P´ra que de mim não te zangues
Eu vou-te dar
A pele, o meu cetim
Coração carmesim
As carnes e com elas sangues

Às vezes o amor
No calendário, noutro mês, é dor,
é cego e surdo e mudo

E o dia tão diário disso tudo

E se um dia a razão
Fria e negra do destino
Deitar mão
À porta, à luz aberta
Que te deixe liberta
E do pássaro se ouça o trino

Por te querer
Vou abrir em mim dois espaços
P´ra te dar
Enredo ao folhetim
A flor ao teu jardim
As pernas e com elas braços

Às vezes o amor
No calendário, noutro mês, é dor,
É cego e surdo e mudo

E o dia tão diário disso tudo

Mas se tudo tem fim
Porquê dar a um amor guarida
Mesmo assim
Dá princípio ao começo
Se morreres só te peço
Da morte volta sempre em vida

Às vezes o amor
No calendário, noutro mês é dor,
É cego e surdo e mudo

E o dia tão diário disso tudo
Da morte volta sempre em vida

(Sérgio Godinho)

terça-feira, 29 de abril de 2008

only trust your heart

Never trust the stars
When you're about to fall in love
Look for hidden signs before you start to sigh

Never trust the moon
When you're about to taste his kiss
He knows all the lines and he knows how to lie

Just wait for a night
When the skies are all bare and then
If you still care

Never trust your dreams
When you're about to fall in love
For you're dreams may quickly fall apart

So if you're smart
Really smart
Only trust your heart

(
Sammy Cahn, Benny Carter)

domingo, 20 de abril de 2008

Há palavras que nos beijam



Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill

As palavras

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade

domingo, 13 de abril de 2008

Feeling Good

Birds flying high you know how I feel
Sun in the sky you know how I feel
Breeze driftin' on by you know how I feel

It's a new dawn
It's a new day
It's a new life
For me
And I'm feeling good

Fish in the sea you know how I feel
River running free you know how I feel
Blossom on the tree you know how I feel

Dragonfly out in the sun you know what I mean, don't you know
Butterflies all havin' fun you know what I mean
Sleep in peace when day is done
That's what I mean
And this old world is a new world
And a bold world
For me

Stars when you shine you know how I feel
Scent of the pine you know how I feel
Oh freedom is mine
And I know how I feel

(Anthony Newley e Leslie Bricusse)